
Isso não é nada pessoal, ainda assim, sabemos que podemos perder alguns chegados com as palavras que se seguem. Mas, quer saber? Já vão tarde. Porém, antes que eles se vão, pedimos desculpas pela hipocrisia de nunca ter dito o que pensávamos em outras oportunidades.
Educação. O MqM acredita neste poder.
É triste ver o que acontece nas "melhores" famílias. Estão literalmente perdidos quanto a educação de seus filhos. Com respeito a sua, a maioria que educa já desistiu faz tempo, como se isso fosse possível em algum momento da vida. Este é um imenso problema. Não se busca por educação em uma determinada fase da vida e, sim, durante toda a vida. É que muita gente ainda associa educação a formação ou instrução. Não é nada disso. Estamos rodeados de bem formados mal-educados. (Observação oportunista) É fácil vê-los urinando pelas ruas ao término das nights cariocas e de outras naturalidades. Aliás, sugerimos uma estratégia para melhorar o fedor de mijo nas calçadas. Você que é pai ou mãe podia dizer algo além do tradicional "cuidado" na hora da saída de seu cheiroso filho ou filha. Já que ele não faz cerimônia para aliviar sua bexiga nas vias públicas, recomende que, pelo menos, mije nos bueiros! A cidade agradece!
Continuando.
Então, a criança vai crescendo e chegando a hora de decidir para que escola ela vai. Momento de preocupação para os pais. Todos querem o melhor para seus filhos neste sentido. Assim fazem suas contas, analisam o custo benefício das ofertas e matriculam seus preciosos. Depois disso, alguns pais vão cuidar da vida, afinal são muito atarefados e precisam ganhar dinheiro para pagar a escola, enquanto outros encontram algum tempo para ficar um pouco mais próximos da vida escolar dos filhos.
Seja como for, os pais optaram por terceirizar a educação de seus filhos e não somente a formação ou instrução destes. Alguns são mais centralizadores e volta e meia estão questionando a escola ao perceberem em casa comportamentos "estranhos" de seus filhotes. Eles se sentem mais participativos e é comum que nas reuniões de pais se ofereçam para colaborar com a escola na educação de seus filhos.
Isso é uma terrível inversão. Na verdade esse deveria ser o discurso da escola para os pais. A escola é quem colabora na educação do indivíduo; o responsável continua sendo quem o colocou no mundo. Embora óbvio, tem gente que não concorda e, pior, espera que o Estado complemente o que faltar. Aí, ferrou tudo mesmo. Tudo!
Poderíamos ter um quadro bem diferente se os pais tivessem e mantivessem por sua própria educação o mesmo nível de preocupação e exigências que têm pela que seus filhos recebem dos outros. Mas, não. São tão mal-educados que não é difícil vê-los receber desconcertantes lições de educação ambiental ou social do filho de oito anos e, pior, acharem graça nisso.
O problema é sério. Uma parcela alta das melhores e piores escolas prepara o indivíduo para que ele atue bem dentro do sistema. Ocorre que o mais alienado pai de hoje sabe, no mínimo, que há algo errado com o tal sistema. Porém, para muitos, oferecer ao filho além de sólida instrução, uma educação mais socialmente consciente, adequada a realidade geral (não a penas a de seu quintal) e que diga não à manutenção deste moribundo contexto estabelecido parece ameaçador para os pais. Pensam que "coisas" alternativas podem comprometer os resultados da luta de seus filhos por um lugar "lá fora". Não estão de todo errados. Mas e agora?
Seria esta função, educar, perfeitamente possível dentro do modelo de escola que serve ao modelo social, político e econômico vigentes? Bem, seja qual for a sua resposta para esta pergunta, lembrar ser isto de responsabilidade da família nunca é demais e, aqui, surge outro problema: além ou muito além do controle dos pais, participam da educação dos jovens a mídia, moda, propagandas, internet, governo, patotas...e patifes diversos vestindo as mais variadas peles.
Drogas.
O crack está aí, cada vez mais ameaçadoramente perto de você e de seu filho. O que tem a dizer? Cuidado com a resposta e com os discursos pobres e simplistas. Eles não deram certo de modo geral. Na verdade pioraram o quadro. Quantos não ouviram e quantos já não disseram coisas horríveis sobre a maconha, por exemplo? Pais, professores, autoridades, religiosos e outros já demonizaram a cannabis para os adolescentes de todas as formas possíveis. Durante anos esse foi um assunto classificado como tabu dentro das escolas e famílias, se ainda não for para muitas. E no que deu esta estratégia? Pois é, além de fracassar ela fez com que os jovens perdessem a confiança nos conselhos que vinham "de cima", classificando-os como "caretas", repressores, preconceituosos e coisa e tal. Eles não precisaram de muito esforço para conhecer um monte de gente que fumava maconha. De tanto ouvirem falar mal, procuraram entre estes alguém que teve a vida destruída pelo "bagulho", roubou a mãe no desespero pela droga, se suicidou, perdeu tudo, enlouqueceu, partiu para violência, teve ou morreu de overdose, virou bandido, mendigo, assassino e por aí vai. Afinal, a turma "de cima", aquela que dá os conselhos e dita as regras, disse que esse era o destino daqueles que se metiam com a maconha. Isso só serviu para distanciar quem aconselha de quem ouve o conselho, pois a realidade era diferente do quadro pintado.
Agora o crack está aí entre nós e ninguém que deveria, evitou. Tudo o que foi dito exageradamente sobre a maconha é a realidade mínima desta droga aniquiladora de cérebros. Sua nefasta escalada social mostra como são frágeis e quase inúteis as estratégias e ações dos "terceirizados" que pagamos para que "não precisemos nos aborrecer com essas coisas".
Essa pedra que estala quando se aquece (crack!) chegou ao Brasil nos anos 80 via São Paulo e hoje se encontra em todas as capitais. A porcaria é tão sinistra que o próprio Comando Vermelho proibiu seu comércio no Rio na década de 90! Que bizarro. O crack entrou no País, atingiu 27 capitais, pintou com força no Rio há cinco anos e, nem bandidos, nem autoridades, conseguiram evitar isso. Já viram que o crack é craque em furar defesas, e aqui está o ponto.
Você tem que ter cheirado muita cola na infância para achar que está tudo sob controle com respeito a mazela tráfico de drogas ou que em algum momento, mantendo-se a atual política e leis sobre o tema, algo será resolvido ou controlado. Bem, em todo o caso, nos deixem aproveitar para dizer que a palavra "educalize" não existe, é apenas um trocadilho do MqM.
Nesta guerra, nós, cidadãos, temos duas linhas de defesa. Uma, que é o Estado, já foi para o brejo há muito tempo, especialmente quando consideramos seus objetivos, deveres e os resultados. Alguém ouviu dizer se houve algum dia, 24 horas, desde 1980 até hoje, que drogas não tenham sido vendidas em algum local do Rio de Janeiro? Nunca vimos números oficiais comparativos, mas porque temos a sensação de que mesmo com todo o combate ainda assim o lado criminoso traficante parece lucrar bem mais do que os prejuízos que lhe causa o Estado? Se estamos enganados, o Governo deveria colocar seus marketeiros para trabalhar melhor. Tudo indica claramente que uma atitude de mudança tem que ser tomada com relação ao assunto drogas, mas enquanto isso, é melhor defender a segunda linha de defesa.
Não devemos ter medo das drogas, mas sim dos danos que elas podem causar. Lógico que, qualquer que seja o estrago, só lhe ocorrerá se resolver se drogar ou, indiretamente, se alguém muito próximo o fizer. Ocorre que ninguém além de você pode fazer alguma coisa pelo fortalecimento da linha de defesa que impede a destruição da sua vida e, dentro do possível, da de quem você ama. Não se trata de apenas dizer não, trata-se de educação e prevenção.
Não deixe isso por conta de terceiros, por melhores que eles sejam. Não espere que o Governo proteja você ou seus filhos neste nível. Não é fugindo, brigando, negando, perseguindo, castigando ou aterrorizando que se resolve isso. É educando, decididamente, educando intensamente com diálogo, respeito, coragem, honestidade e preparo.
Seja você é da turma do "legalize já" ou do "prende e mata todo mundo", por favor, primeiro eduque e ajude a educar direito sobre o assunto.
Educalize já, educalize já! Consciência e informação não podem te prejudicar!